
Sobre
D'ANUNZIATA
A prática de D'Anunziata parte de uma hipótese: que existem formas de conhecimento anteriores à linguagem verbal, e que o objeto de arte é um dos poucos dispositivos capazes de acessá-las sem traduzi-las.
Através de escultura, pintura, objeto e vídeo, constrói sistemas visuais não semânticos, estruturas que funcionam como portais perceptivos, deslocando o espectador de um regime interpretativo para uma experiência de contato direto com o símbolo. Não há decifração possível. Há apenas o que acontece no corpo e na percepção de quem está diante da obra.
Essa proposição se fundamenta numa investigação de longo prazo em tradições de conhecimento que o pensamento ocidental moderno sistematicamente relegou à margem: alquimia, hermetismo, arquétipos junguianos, mitologia comparada, sistemas iniciáticos de diversas culturas. D'Anunziata não os aborda como crença nem como referência decorativa. Os aborda como epistemologias visuais: corpos de pensamento que, por séculos, organizaram a compreensão do real por meio de símbolo, analogia, correspondência e forma; e que produziram alguns dos sistemas visuais mais complexos e duradouros da história humana.
O que esses sistemas têm em comum é a recusa em separar conhecimento e experiência. É essa recusa que interessa à prática e que a conecta, por caminhos oblíquos, a certas questões centrais da arte contemporânea: os limites da representação, a materialidade como agência, o objeto como campo de força e não apenas como forma.
O sincretismo é condição, não escolha. D'Anunziata trabalha a partir do Brasil; território onde cosmologias radicalmente distintas coexistem, colidem e geram territórios de pensamento sem equivalente em outras geografias. Essa condição atravessa a prática não como tema identitário, mas como estrutura de método: a capacidade de mover-se entre sistemas de sentido sem se fixar em nenhum deles é o que permite construir uma linguagem genuinamente própria.
Sua trajetória atravessa moda, curadoria e mais de quinze anos de acompanhamento de processos criativos individuais; uma prática paralela que sedimentou uma escuta precisa das estruturas internas que precedem qualquer obra, e que informa diretamente sua capacidade de ler o que ainda não tem forma.
Em 2013 fundou a RED Studios, residência artística de investigação entre arte, design e espiritualidade.
Desde 2017, sua prática entra em movimento de síntese e concentração, voltada à pergunta que organiza tudo: o que uma forma pode transmitir que nenhuma linguagem consegue dizer.
CV
Nascida no Rio de Janeiro, vive e trabalha em São Paulo, Brasil
Exposições Individuais
2019 - Limiares, Aura Gallery, São Paulo
Coletivas
2023 — Ah! Eu Amo as Mulheres Brasileiras, MAC Niterói
2023 — Ah! Eu Amo as Mulheres Brasileiras, CCSP, São Paulo
2022 — Oh! I Love Brazilian Women, Apexart, Nova York
2022 — Sunnysick, Casa 70, Lisboa
2021 — Singularidades Confluentes, Bianca Boekel Gallery, São Paulo
2019 — Despertar do Eu Artista, FUNARTE, São Paulo
2019 — Festivau de C4nn$, (videoarte) - São Paulo
2018 — Splendor Solis, Particular Gallery, São Paulo
Projetos & Iniciativas
2018–2019 — Parallax
2013–2017 — RED Studios
Formação
1999 — Jornalismo, Universidade da Cidade, Rio de Janeiro
2001 — Design de Moda, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro
2015–2018 – Formação em Terapias Holísticas: ThetaHealing, Apometria, Radiestesia