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A simbologia interior do artista

Existe uma geografia secreta dentro de cada artista.

Não é o mapa da cidade onde nasceu, nem a cronologia das obras que já produziu.

 

É um território mais profundo: feito de símbolos que insistem em voltar,

arquétipos que se revelam em sonhos, imagens recorrentes,

formas que surgem na mão antes mesmo do pensamento.

 

O artista não inventa esses símbolos, ele é atravessado por eles.

Emergem como visitantes noturnos,

às vezes como fantasmas, às vezes como guias.

 

Não pedem permissão para existir.

Não se explicam pelas regras do mercado, nem pelas tendências.

São pulsações arcaicas, uma linguagem que vem de muito antes de nós.

 

Criar, nesse sentido, é menos um ato de controle e mais um exercício de hospitalidade: abrir espaço para que o inconsciente fale em formas, cores, sons, gestos.

 

O trabalho do artista é sustentar o diálogo com esses habitantes internos,

mesmo quando parecem absurdos, excessivos ou indomáveis.

 

Na simbologia interior está a força que diferencia o artista do fabricante.

 

Talvez o futuro da arte não esteja na inovação tecnológica, mas na coragem de ouvir esses símbolos ancestrais

que continuam a nos atravessar.

 

Porque cada artista carrega um mito,

e todo mito espera ser contado de novo,

numa língua inédita.


 
 
 

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