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Provocação ou Portal?

Atualizado: há 19 horas

Na paisagem da arte contemporânea, a palavra provocação costuma vir carregada de urgência, atrito e transgressão.

 

Provocar, nesse contexto, é muitas vezes entendido como romper, confrontar, chacoalhar. Mas será que provocar só se manifesta como impacto?

 

E se provocar também for sinônimo de despertar?

 

Talvez a provocação mais profunda não venha do grito, mas do gesto sutil que desprograma o olhar condicionado.

 

Talvez o verdadeiro corte na percepção venha de uma obra que não se impõe, mas que entra em ressonância silenciosa com algo adormecido em nós.

 

Há arte que arrebata pela força e há arte que reorganiza pela presença.

 

Num mundo hiperestimulado, em que quase tudo já soa como manifesto, o que ainda nos tira da zona automática?

 

Às vezes, é o que nos obriga a parar.

Às vezes, é o que nos lembra que estamos vivos.

 

Provocar, então, talvez seja menos sobre reagir ao mundo e mais sobre reencantar a percepção.

E isso pode acontecer através de uma explosão ou de um sopro.

 

O desafio está em reconhecer que não há uma régua única para medir o impacto de uma obra.

 

Aquilo que passa despercebido para uns, pode ser um ponto de virada para outros.

O que é ruído para alguns, é revelação para outros.

 

Nesse sentido, a provocação não é um formato.

É uma consequência sutil de uma vibração verdadeira.

 

A arte pode ser ferramenta de crítica, mas também pode ser campo de cura, espelho metafísico, trampolim perceptivo, vórtice sensorial, ensaio de mundos.

 

Cada obra tem sua maneira de transgredir o óbvio.

Cada olhar, sua forma de ser tocado.

 

Provocar, afinal, não é sinônimo de ferir.

É sinônimo de mover.

E há movimentos que começam sem que ninguém perceba.

Até que, de repente, tudo já mudou.

 

Talvez o mais provocativo hoje, seja justamente aquilo que nos devolve ao que é essencial.

Sem grito. Sem tese. Sem defesa.

Apenas presença.




provocação ou portal

 

 
 
 

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