O invisível também é método
- Camilla D'Anunziata
- há 4 dias
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A arte como estratégia ou como espírito?
Hoje, todo mundo parece saber o que o artista precisa fazer:
“Seja estratégico.” “Tenha um plano.” “Pense no posicionamento.”
Como se fosse preciso salvar o artista de si mesmo.
Como se a intuição fosse um erro a ser corrigido, e não uma das tecnologias mais ancestrais e potentes da criação.
Sim, a estratégia tem seu lugar, mas será que ela não está ocupando todos os lugares? Será que não estamos confundindo presença com performance, clareza com controle?
A arte vive no intervalo. Entre o gesto e o silêncio. Entre o que se faz e o que não se sabe nomear.
O problema talvez não esteja na estratégia em si, mas em esquecermos que há coisas que só nascem no tempo da observação.
E que há processos que não se aceleram sem perder a alma. Porque é o fazer que afina o olhar.
É o mergulho que revela o contorno.
É a obra que chama a estratégia e não o contrário.
Quando o gesto está inteiro, presente, respirado, a forma encontra seu caminho, como água descendo a montanha: sem pressa, sem perda, sem manual.
Como dizia Agnes Martin: “A arte não é sobre algo. Arte é a experiência de algo.”
E talvez o nosso trabalho, agora, seja lembrar dessa experiência.
Cultivá-la. Sustentá-la. Antes de planejar, antes de vender, antes de divulgar, viver o que se faz. Sentar, sentir e criar.
Porque é nesse campo que tudo começa.




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